Saiu a notícia de que a B3 informou a quantidade de investimento estrangeiro de maneira errada. Os dados reais são muito menores dos que foram informados. Portanto, não houve tanta entrada de dólar no Brasil.

Se não podemos confiar nos dados que a própria B3 informa, no que podemos confiar? Imagina os dados que as empresas emitem? Você acha mesmo que são isentos de fraudes ou construções enviesadas?

Semana passada uma dessas empresas que adoram ser chamadas de disruptivas publicou seu balanço depois de muito atraso. A mesma linha que informava prejuízo também se referia aos lucros.

Mais confuso impossível. Os dados referentes aos novos clientes também tiveram um asterisco informando que foram contabilizados informações de um determinado sistema. Será que isso não foi uma maquiada?

O problema de se mentir no mercado financeiro é que as informações falsas afetam diretamente o bolso dos investidores. É o patrimônio de inúmeras famílias que sofrem diante desse jogo maquiavélico.

Eu fico indignado diante de tanta irresponsabilidade. Neste país, quem tem o poder não sofre as consequências dos erros que comete. Ou você acha que alguém vai ser punido pelas informações erradas divulgadas na B3?

Os balanços contábeis publicados pelas empresas são, supostamente, auditados. Será que alguma empresa gosta de divulgar resultados negativos que vão afetar diretamente o preço de suas ações?

Se a contabilidade empresarial não tivesse inúmeras questões subjetivas, não haveria problemas. Mas, quem já estudou o mínimo sabe que há diferentes modos de fazer cálculos e apresentar dados.

Portanto, se os dados objetivos como o fluxo estrangeiro na bolsa é alvo de erros (será?), os dados que são frutos de construções e interpretações tem um amplo espaço para serem moldados conforme a vontade de quem os emite.

Na bolsa de valores brasileira os investidores são feitos de palhaços.

Renan Antunes